Sentimentos no desalinho
Sentimentos no desalinho
Aguardente de puro caule
Gosto doce ao sugar
Amargo o destempero a estugar
Na voz é cana rachada em torvelinho
Ao coração, que a espera enjaule
O rosto lagrimeja a saudade em cortejo
A calda do amor é quente ao gosto que arde
Temperaturas amenas do canto que invade
Cobre de tarde o adentrado desejo
Mata a esperança que antevejo e semeia
Desesperar a tempo de fruir e incendeia.
Calma
O mar apenas borbulha
A noite anuncia tempestade
O frio empalidece a fronte que mergulha
O desejo é maior que a vontade
O amor colossal invade à tarde
A calmaria é agonia selvagem e arde
Suave e destemperada paixão desnuda
Comovente e eloqüente adormece muda
Diana Balis
Rio de Janeiro, 1 de outubro de 2008.
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